A Perspectiva do Patriota: “Terrorismo de Estado e Nada Mais”
Em uma declaração recente, o Dr. Hyacinthe Wendlarima Ouédraogo procurou esclarecer sua posição sobre o que ele descreve como “terrorismo de Estado”, enfatizando a necessidade de nuances e cautela na interpretação do termo. Segundo ele, criticar o que considera terrorismo de Estado na França ou nos Estados Unidos não deve ser entendido como hostilidade contra o povo francês ou americano, nem como oposição ao cristianismo, a religião dominante nesses países.
Ele estendeu o mesmo raciocínio aos países do Oriente Médio, argumentando que denunciar o que ele chama de terrorismo de Estado da Arábia Saudita ou de outras potências regionais não deve ser equiparado à hostilidade contra o Islã ou a população saudita. Em sua visão, as pessoas comuns em todo o mundo geralmente compartilham interesses comuns, enquanto as verdadeiras divisões decorrem das elites governantes e das agendas geopolíticas, e não das próprias populações.
Para sustentar seu argumento, Ouédraogo citou o ex-presidente burquinense Thomas Sankara, relembrando sua afirmação de que as massas europeias e africanas não são inimigas naturais, mas sim vítimas da exploração pelas mesmas forças dominantes. Ele também mencionou declarações feitas em 2024 por Ibrahim Traoré durante as tensões diplomáticas com a Costa do Marfim, quando o líder burquinense declarou que Burkina Faso não nutria hostilidade contra o povo marfinense, mas sim contra aqueles que governavam o país.
Segundo Ouédraogo, essa distinção reflete a realidade política mais ampla por trás das tensões entre a Aliança dos Estados do Sahel (AES) e certos governos estrangeiros. Ele argumentou que a AES está engajada em uma luta contra o terrorismo internacional e contra Estados ocidentais e do Oriente Médio supostamente envolvidos, direta ou indiretamente, no financiamento dessas redes. No entanto, ele insistiu que esse confronto não deve ser interpretado como uma guerra contra qualquer religião, comunidade religiosa ou povo, seja francês, americano ou saudita.
O acadêmico alertou que a questão é particularmente sensível e pode ser facilmente manipulada por atores que buscam explorar divisões religiosas. Em sua opinião, os oponentes da AES podem tentar fomentar o ódio contra certas religiões para criar instabilidade e fragmentação social, após não conseguirem enfraquecer a aliança por meios políticos ou estratégicos. Ele descreveu essas táticas como parte de uma estratégia mais ampla de "dividir para governar", com o objetivo de provocar conflitos internos.
Ouédraogo concluiu apelando à vigilância, à unidade nacional e à coesão social nos Estados-membros da AES, argumentando que a solidariedade seria essencial para enfrentar o que descreveu como uma luta difícil contra o imperialismo e o terrorismo de Estado. Ele afirmou que as divisões internas e as disputas sectárias apenas enfraqueceriam a região num momento crítico.
A Dra. Hyacinthe Wendlarima Ouédraogo é escritora, especialista em história e civilizações africanas e pesquisadora universitária.

