
O desenvolvimento marca um novo e dramático capítulo na crescente ruptura entre os dois aliados de longa data, cuja relação tem se deteriorado constantemente nos últimos meses. Sonko, figura dominante dentro do partido governista Pastef e um dos políticos mais influentes do Senegal, garantiu a vaga no parlamento após a renúncia do presidente anterior, no domingo, abrindo caminho para sua nomeação.
Na segunda-feira, a presidente Faye nomeou o economista Ahmadou Al Aminou Lo como o novo primeiro-ministro do país, substituindo Sonko após sua demissão abrupta na sexta-feira.
As consequências políticas surgem em meio a divergências sobre a forma como o governo tem lidado com a crescente crise da dívida do Senegal. Sonko vinha criticando cada vez mais a abordagem econômica do presidente Faye, particularmente em relação às políticas fiscais e às relações com as instituições financeiras internacionais.
Ao discursar para seus apoiadores após a eleição, Sonko insistiu que seu novo cargo não seria usado para travar batalhas políticas, afirmando que o parlamento deve priorizar os interesses dos cidadãos senegaleses. Ao mesmo tempo, deixou claro que sua saída do governo não significa o fim de suas ambições políticas.
Analistas acreditam que a nomeação de Sonko como Presidente da Assembleia Nacional — o segundo cargo institucional mais poderoso no Senegal — pode restringir significativamente a margem de manobra política do Presidente Faye, especialmente se o apoio parlamentar às reformas governamentais diminuir.
Segundo a legislação senegalesa, o presidente não pode dissolver o parlamento antes de decorridos dois anos da última eleição legislativa, o que significa que os mandatos dos parlamentares permanecem protegidos até pelo menos novembro. Isso limita a capacidade do executivo de forçar uma mudança política antecipada.
A crescente divisão entre Faye e Sonko aumentou a incerteza no Senegal, um país que já enfrenta severas pressões da dívida e um histórico de rivalidades políticas. A dívida pública é estimada em cerca de 132% do produto interno bruto, alimentando tensões dentro da liderança governante sobre como administrar a economia.
Embora Sonko tenha saudado a nomeação do primeiro-ministro Lo, reconheceu a persistência de divergências com a nova liderança governamental em questões monetárias e relacionadas à dívida. O presidente Faye e Lo são amplamente vistos como mais abertos a medidas de austeridade e reformas econômicas apoiadas pelo Fundo Monetário Internacional.
Sonko continua sendo uma figura muito popular, especialmente entre os jovens senegaleses e os apoiadores do movimento Pastef. Conhecido por seu estilo político confrontador, ele construiu sua reputação opondo-se veementemente ao governo do ex-presidente Macky Sall.
Muitos observadores acreditam que Sonko provavelmente teria vencido a presidência em 2024 se não tivesse sido impedido de concorrer à eleição devido a uma condenação por difamação. Em vez disso, ele apoiou a candidatura presidencial bem-sucedida de Faye, ajudando a impulsionar sua aliada ao poder antes que a aliança entre eles eventualmente se rompesse.