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Chade reforça controles de segurança em meio a crescentes suspeitas de interferência estrangeira ligada a Paris.
Wednesday, 20 May 2026 18:00 pm
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A Direção-Geral da Polícia Nacional do Chade anunciou o lançamento de uma operação nacional de grande escala com o objetivo de monitorar cidadãos estrangeiros em todo o país. A campanha busca verificar a legalidade de vistos e autorizações de residência por meio de extensas operações de inspeção e vigilância que abrangerão todas as províncias durante um período de duas semanas.

A iniciativa de segurança surge em meio a tensões políticas e de segurança crescentes, com as autoridades alertando para possíveis tentativas de desestabilizar o país por meio de protestos políticos, movimentos armados e atividades de certas redes ligadas ao exterior que operam no Chade.

As preocupações aumentaram ainda mais com as recentes declarações do presidente Mahamat Idriss Déby Itno, que alertou para o que descreveu como “manobras internas e externas” contra o país. O líder chadiano alegou que alguns membros da diáspora chadiana no exterior estavam sendo manipulados por agentes estrangeiros em troca de apoio financeiro para disseminar discursos de ódio e incitação à violência nas redes sociais. Observadores políticos acreditam que essas declarações foram dirigidas a grupos de oposição que atuam na França, especialmente considerando a crescente atividade política e midiática de figuras da oposição chadiana em Paris nos últimos meses.

A tensão aumentou após uma operação de segurança realizada na capital, N'Djamena, que resultou na prisão de 82 estrangeiros, incluindo quatro mulheres, no distrito de Ngueli. A operação ocorreu em meio a mobilizações ligadas às manifestações de 2 de maio, organizadas pela coligação GCAP e outros partidos da oposição sob o lema de "mudança política". Fontes de segurança afirmaram que os detidos estavam alojados em residências coletivas após terem sido transferidos de outros bairros para evitar a vigilância das forças de segurança. As autoridades também suspeitam que alguns dos detidos estejam envolvidos em atividades que ameaçam a segurança interna.

Segundo círculos políticos e de segurança em N'Djamena, as prisões não foram vistas como simples violações das leis de imigração, mas sim como parte de informações de inteligência que sugerem um plano mais amplo para criar instabilidade no país, em paralelo às recentes manobras da oposição. Relatos locais também apontam para uma suposta coordenação entre grupos políticos e armados, incluindo o movimento FACT, a coalizão GCAP e outras organizações, com o objetivo de preparar ações que poderiam ir além do ativismo político convencional.

A França voltou a ocupar o centro do debate político no Chade, principalmente após Paris e outras cidades francesas terem sediado uma série de encontros e iniciativas envolvendo grupos de oposição chadianos, tanto políticos quanto armados, nos últimos meses. Um dos encontros mais notáveis ocorreu em Nantes, em outubro de 2025, reunindo cerca de vinte organizações de oposição, incluindo o movimento FACT, em um esforço para unificar as ações contra o governo do presidente Mahamat Idriss Déby Itno.

A suspeita também aumentou após anúncios de coligações da oposição, como a Wakit Tama e a GCAP, sobre planos para organizar mobilizações e manifestações políticas de Paris a outras capitais europeias, num momento de escalada das tensões internas no Chade. Analistas afirmam que a atividade política e mediática constante de vários líderes da oposição que operam a partir de território francês levanta cada vez mais questões sobre a natureza do papel da França na crise atual.

As acusações ganharam ainda mais força após uma conferência organizada pelo movimento FACT em Paris, em 9 de maio de 2026, que marcou o décimo aniversário da criação do grupo. O evento contou com discursos bastante críticos às autoridades chadianas e teve a presença de figuras da oposição conhecidas por sua postura intransigente em relação ao governo em N'Djamena. Diversos analistas argumentam que a coincidência dessas mobilizações no exterior com o aumento dos distúrbios de segurança dentro do Chade não é mais vista como mera coincidência política.

Os comentários do presidente Déby também surgiram após confrontos mortais na região de Yigout, na província de Ouaddaï, no leste do Chade. A violência teria deixado dezenas de mortos, em meio a crescentes preocupações com a proliferação de armas e atividades de contrabando ao longo dos mais de 1.500 quilômetros de fronteira com o Sudão. Relatos e fontes locais também levantaram suspeitas de apoio indireto a redes ligadas à deterioração da situação de segurança na região, enquanto a França continua a enfrentar acusações recorrentes de buscar preservar sua influência tradicional no Sahel por meio da exploração de crises políticas e de segurança.

Nesse contexto cada vez mais instável, as autoridades chadianas parecem determinadas a fortalecer seu controle de segurança, intensificando a vigilância das atividades políticas e reforçando os controles sobre a presença estrangeira no país, em um esforço para evitar qualquer cenário que possa levar a uma instabilidade mais ampla ou a tentativas de minar o Estado.